Fusca

Fusca

sexta-feira, 19 de janeiro de 2018

CARBURADORES SOLEX/BROSOL

Anúncio da DVG/Solex de 1952.

Até consolidação do sistema eletrônico de injeção de combustível, o carburador foi elemento essencial da tecnologia do motor, responsável por lhe fornecer a mistura correta de ar/combustível. Em certo sentido, o carburador atuava como o pulmão do motor do veículo.

Anúncio da DVG/Solex de setembro de 1957.

Dos diversos fabricantes de carburadores existentes ao longo da história do automóvel, poucos resistiram ao teste do tempo. Entre os que lograram êxito em percorrer décadas de fornecimento à indústria automotiva, destaca-se a francesa Solex, cujo carburador - projetado em 1908 por Marcel Mennesson, engenheiro da Societé Solex em Paris, e patenteado em 1910 - assumiu papel de liderança no setor de autopeças.

Na Alemanha, os carburadores Solex foram fabricados pela DVG (Deutsche Vergaser Gesellschaft), com sede em Berlim, fundada em 1935 por Bernhard Pierburg (1869-1942). A DVG era uma das empresas do grupo Pierburg, que iniciou suas atividades no início do século 20, mais precisamente em 1909 em Wilmersdorf, localidade próxima a Berlim.

Panfleto alemão com detalhes técnicos do carburador 28 PCI do Fusca.

A Solex foi fornecedora dos carburadores para o Fusca desde o início de sua produção comercial. Compartilhou, em curto período, o fornecimento dos carburadores 26 VFI com a alemã HuF para os Fuscas split.

Diferenças entre o carburador 26 VFI e 26 VFIS.

No Brasil, os carburadores Solex que equiparam o Fusca foram fabricados pela Brosol.


Anúncio da Brosol de setembro de 1961.

A empresa foi fundada em 1959 por Martim Bromberg, que se uniu com o alemão Alfred Pierburg (filho mais velho de Bernhard Pierburg) para produzir carburadores, bombas e filtros de gasolina para suprir a demanda da recém instalada indústria automobilística nacional.


Folder dinamarquês da Solex, com destaque para o carburador 28 PCI.

Os carburadores Solex são identificados por um código formado por letras e números. Exemplo: 28 PCI, 30 PIC, 32 PDSIT/2, etc. O número do carburador (28, por exemplo, do carburador 28 PCI) refere-se ao diâmetro de abertura do coletor de admissão.

Carburador 28 PCI.

Durante a crise do petróleo da década de 1970, a Solex desenvolveu os carburadores PICS, voltados para a economia de combustível. Possuíam um venturi menor para acelerar mais o fluxo de ar por ele e assim formas uma mistura mais uniforme, principalmente em baixas rotações. Todavia, essa configuração comprometia o desempenho do veículo em altas velocidades.

Anúncio da Solex/Brosol de junho de 1967.

Obviamente, além dos carburadores, a Solex/Brosol fabricava reparos para seus equipamentos, vendidos, nos anos mais longínquos, em belos estojos de metal.

Anúncio de setembro de 1963.

Anúncio de dezembro de 1964.

Kit de reparos de carburadores Solex.

Na década de 1990 a Brosol foi adquirida pela americana Echlin que, por sua vez, foi posteriomrente adquirida pela Dana. Atualmente, a Brosol pertence à AMP Indústria e Comércio de Peças Automotivas. 

Para os leitores do blog, elaborei, adiante, tabela de Carburadores Solex/Brosol utilizados pelo besouro ao longo de sua trajetória.

MOTOR
ANO
TIPO
CÓDIGO ORIGINAL
1100
ATÉ 04/1950 (motor nº 1-0194.695)
26-VFI
111.129.109
1100
04/1950 A 10/1952 (até motor nº 1-0481.712)
26-VFIS
111.129.109
1100
10/1952 (início do Zwitter) A 12/1953 (até motor 1-0695.281)
28 PCI
111.129.021 A
1200
12/53 (a partir motor nº 1-0695.282) A 12/1966
28-PCI
111.129.023
1300
01/1967 A 12/1967
30-PIC
113.129.023.ZA
1300
01/1968 A 09/1974
30-PIC
113.129.027.1
1300
10/1974 A 12/1976
30-PIC
040.129.027.9
1300
10/1974 A 12/1983
30-PICS
040.129.027.17
1300
09/1979 A 12/1983
DUPLA A ÁLCOOL
32-PDSIT/2
32-PDSIT/3
040.129.027.36
040.129.028.36
1300
03/1983 A (série limitada)
30-PICS
040.129.019.5
1500
08/1970 A 10/1972
30-PIC
211.129.027.2
1500
11/1972 A 04/1975
30-PIC
040.129.027.1
1600
09/1974 A 04/1975
BIZORRÃO
32-PDSIT/2
32-PDSIT/3
040.129.027.6
040.129.028.6
1600
05/1975 A 12/1983
DUPLA A GASOLINA
32-PDSIT/2
32-PDSIT/3
040.129.027.20
040.129.028.20
1600
01/1984 A 1986
31-PICT
040.129.017.1
1600
01/1984 A 1986
DUPLA A ÁLCOOL
32-PDSIT/2
32-PDSIT/3
040.129.027.43
040.129.028.43
1600
08/1993 A 06/1996
DUPLA A ÁLCOOL
32-PDSIT/2
32-PDSIT/3
040.129.027.54
040.129.028.54
1600
12/1993 A 06/1996
DUPLA A GASOLINA
32-PDSIT/2
32-PDSIT/3
040.129.027.55
040.129.028.55



quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

CHAPA PROTETORA DO MOTOR - COMPARATIVO 1200 x 1300

Acima, diferença entre a chapa protetora traseira dos motores 1200 e 1300.

 
A chapa original dos motores 1200 tinha dois vincos paralelos.

A lata do 1300, por sua vez, possui um rebaixo em formato triangular.

Acima, detalhe da chapa de proteção de um motor 1200.

Além disso, as extremidades de encaixe com as demais partes da lataria do motor também são diferentes.

quarta-feira, 22 de novembro de 2017

PLATINA METÁLICO - L1225

Cor utilizada pela VW do Brasil entre 1972 e 1973 nos modelos SP1, SP2, TL 2 e 4 portas. Código L1225.

TL 72 platina metálico.

sexta-feira, 20 de outubro de 2017

RADIO BECKER

Rádio Becker Monza.

A Becker Radio, empresa alemã fundada em 1945 por Max Egon Becker (1918-1993), foi, por muitos anos, a fornecedora oficial de rádios para a Mercedes Benz. 

Rádio Becker Monza a bordo de um Fusca split.

Em 1950 a Becker lançou a linha Monza de rádio automotivo, próprio para para ser instalado no painel do Fusca split ou do Porsche. Valvulado, tinha o grande diferencial de poder ser instalado no Fusca sem que o proprietário precisasse abrir mão do relógio original que equipava os besouros na versão Luxo ou Exportação.

Rádio Becker Monza com a tampa frontal, sem o relógio original do Fusca split.

Com efeito, o rádio vinha com um compartimento em sua própria estrutura para abrigar o relógio original. À opção do proprietário, o rádio podia também ser instalado sem acoplar-se o relógio, razão pela qual vinha com uma tampa para fazer o acabamento em sua parte frontal.

Versatilidade do rádio Becker Monza: podia ser retirado do veículo e ligado na corrente elétrica da residência.

Outra peculiaridade do rádio é o fato de poder ser retirado do veículo e ligado à corrente elétrica de uma residência, por exemplo. Assim, podia-se apreciá-lo tanto dentro do carro quanto na casa ou escritório. A colocação e a retirada do rádio ocorria pela parte de trás do painel do Fusca. Lembremos que na década de 50, ter um rádio no automóvel era um verdadeiro luxo, pois seus preços eram extremamente altos. Desse modo, ter um único rádio que podia ser utilizado tanto no carro quanto em casa, era algo a ser considerado com bons olhos pelo interessado em "investir" nesse tipo de equipamento. 

Todo o esplendor do rádio no painel de um Fusca.

Na hipótese de o proprietário resolver acoplar o relógio original do Fusca no corpo do Becker Monza, a retirada do rádio tornava-se menos prática, pois exigia também o desacoplamento do botão de ajuste dos ponteiros do relógio, que se estende até o porta-luvas do lado direito.

Anúncio da Becker dos anos de 1950.

A Becker chegou a ser uma das fornecedoras de rádio para a Volkswagen alemã no início da década de 1950, sendo que seu produto figurava nos catálogos de acessórios oficiais, junto com o rádio Blaupunkt.

Outro anúncio da Becker dos idos de 1950.

Posteriormente, os rádios da Becker deixaram de ser fornecidos à VW da Alemanha. Todavia, seus produtos continuavam sendo oferecidos no mercado de acessórios e podiam ser instalados no besouro,à preferência de seu dono.

A Becker investiu bastante em propaganda na época do lançamento do modelo Monza.

Ao longo dos anos, a Becker lançou uma série de modelos de rádios, como as linhas Europa, México, Monte Carlo, Mônaco, Avus, Califórnia, etc. Com produtos de excelência, a Becker tornou-se sinônimo de equipamentos de alta qualidade e custo, o que a fez afastar-se gradualmente do popular e barato Fusca. Em 1995, dois anos após a morte de seu fundador, a empresa  foi vendida para a Harman International.

Catálogo de acessórios oficial da VW alemã.

Anúncio de junho de 1955.

Rádio Becker Monte Carlo.

quarta-feira, 18 de outubro de 2017

TRINCO DO QUEBRA-VENTO

Diferenças entre o trinco do quebra-vento do Fusca entre outubro de 1952 a agosto de 1955 e o trinco utilizado a partir do modelo 1956 (lançado em 4 de agosto de 1955).

Até 1955 o trinco era menos curvo e a lingueta de fixação do quebra-vento era quase plana. A partir de agosto de 1955, essa base onde o trinco é fixado ficou ligeiramente curva; consequentemente o trinco também ganhou um arqueamento maior - semelhante a um gancho - para permitir um perfeito encaixe das peças. Essa modificação visou propiciar maior segurança no travamento da ventarola.

Trinco do quebra-vento em um Fusca 1955.

Trinco da ventarola em um Fusca 1965.

A partir do modelo 1971, lançado em agosto de 1970, o trinco foi novamente modificado. O botãozinho até então utilizado para destrave do quebra-vento foi suprimido. A base também foi modificada e passou a ser instalada na lateral do quadro da ventarola, assim permanecendo até o final da produção do Fusca no Brasil.


A C E S S Ó R I O S

Um dos acessórios curiosos utilizados na época para melhorar a segurança do veículo, foi feito na Alemanha pela empresa conhecido por RIFI, e era uma espécie de parafuso que substituía o botão original do trinco utilizado até agosto de 1970, 

A instalação do pequeno apetrecho dificultava a abertura do quebra-vento por malfeitores. Com o equipamento RIFI instalado, era necessário desatarrachar o botão, de modo a permitir a abertura do quebra-vento. No sistema original, o botão era apenas pressionado para liberar o destrave da ventarola. 

terça-feira, 10 de outubro de 2017

quinta-feira, 5 de outubro de 2017

ENFEITANDO A VELHA SENHORA

Na década de 1950 o mercado já ofertava para o Fusca uma gama generosa de acessórios. Para a Kombi contudo, veículo destinado precipuamente ao trabalho, os acessórios disponíveis eram bem mais módicos.

Dentre os poucos que foram feitos para a Kombi, destaco, neste post, o aro de buzina para ser instalado no volante da Velha Senhora. Além de embelezar o interior, dando-lhe um ar mais refinado, o aro tinha também a finalidade de facilitar o acionamento da buzina, sem que o motorista precisasse tirar uma das mãos do volante.

Acessório feito no Brasil, tinha no centro o brasão da cidade de São Bernardo do Campo (SP), sede da Volkswagen do Brasil. Esse botão era menor que o utilizado no volante cálice do Fusca, sendo exclusivo do aro da buzina da Kombi.

Para sua instalação era necessário abrir mão do botão de buzina original. O aro era feito em zamac (ou antimônio, como é popularmente conhecido).

Podia ser instalado tanto na Kombi Std quanto na Luxo.

O aro de buzina dava um de maior sofisticação ao interior da Kombi.

Kombi azul pastel com o acessório instalado no volante.

Outra bela Kombi com o acessório ornando o volante.

Outra opção mais modesta era trocar apenas o botão original do volante da Kombi por outro com o brasão de São Bernardo.

O botão com o brasão no volante de uma Kombi Corujinha.

segunda-feira, 25 de setembro de 2017

AMARELO PRIMAVERA - L6018

Cor utilizada pela VW do Brasil em 1980. Código L6018.

SAIA DIANTEIRA: 4T E 3T

Atendendo a pedidos, vamos tratar rapidamente acerca das mudanças ocorridas no "lay-out" da saia dianteira do Fusca, apenas na parte totalmente coberta pelo capô. É um detalhe importante a ser observado no besouro, principalmente para quem pretende o máximo de originalidade numa restauração ou mesmo para avaliar a integridade de determinado veículo.

Até janeiro de 1964, chassi nº B4 140.238, a saia dianteira do Fusca possui 4 (quatro) vincos verticais de reforço na chapa, que ficou popularmente conhecida como saia 4 T.

A saia dianteira foi alcunhada de 4 T pelo fato aparentar possuir 4 (quatro) letras "T", conforme pode ser observado na imagem acima.

Com a mudança no tanque de combustível ocorrida em janeiro de 1964, a saia dianteira também mudou, perdendo o vinco próximo ao cano do cabo de abertura do capô. Passou a contar, a partir de então, com apenas 3 T, como bem se verifica na ilustração acima. Essa mudança de 4 para 3 T ocorreu a partir do chassi nº B4 140.239.

A partir do lançamento do Fusca modelo 1971, ocorrido em agosto de 1970, a saia dianteira do Fusca mudou novamente, agora com a fechadura inferior embutida e fixada por rebites ao invés de parafusos, porcas e arruelas.